Quando comecei a ler Apenas Amigos, eu tinha acabado de terminar outro livro que falava quase do mesmo tema: amigos que se tornam mais do que isso por um contrato vantajoso para ambos. É um clichê que amamos, seja em que roupagem estiver. Mesmo sabendo do final, e conhecendo cada caminho pelo qual o casal vai percorrer até ficar junto, o roteiro nunca perde a graça. Com nossos protagonistas, Holland e Calvin, não é diferente.
Holland é uma jovem mulher de 25 anos, aspirante a escritora, mas que ganha a vida de verdade vendendo camisetas e fazendo pequenos trabalhos nos bastidores de um teatro musical. A partir daí, a história ganha um tempero especial. Eu particularmente amo tudo o que tem a ver com o teatro ou o cinema nos livros. É como uma promoção: Pague 1 e ganhe 2. Você fica sabendo detalhes sobre a produção de entretenimento que nem passariam pela sua cabeça, enquanto se delicia com o livro.
Confesso que, quando a Holland — ou Holanda, no nosso bom e velho português — começa a falar sobre o Jack — que mais tarde descobrimos ser o Calvin —, já dá para sentir uma ligação imediata com ele: ele é um músico de rua, um artista que expira notas com verdadeira paixão, a despeito de quanto dinheiro vai ganhar por isso. A forma como o amor dele pela música é mostrado na história é comovente, palpável e maravilhosa [Depositem seus suspiros aqui]. Não tem como não se apaixonar por ele depois disso.
O Calvin é um homem bonito, talentoso, com um leve toque de timidez que o torna fofo de uma forma que quase te faz gritar “Ai, meu deus! Eu quero pra mim AGORA!” [Surto fora de hora da escritora que vos fala]. No fã clube dele, eu seria a fã número 2, com certeza — apenas porque a Hollzinha chegou primeiro.
Não é segredo para ninguém que a Holland arria os quatro pneus dela pelo Calvin. Mesmo antes de saber o nome dele, ela conhece a rotina do garoto, e vai á estação todos os dias, cruzando a cidade sem necessidade nenhuma, só para ter a desculpa de passar por ele e vê-lo tocar. Se não fossem os Joe´s Goldberg [Se você não conhece esse ser acapetado, pode continuar aí, sentado no seu banquinho, que eu ainda vou fazer uma resenha sobre isso] da vida, essa seria uma ação muito romântica, posso admitir.
Acho que o único grande erro da Christina e da Lauren nesse livro foi colocar a Holland em uma situação de perigo em que o Calvin poderia tê-la ajudado de forma rápida e não o fez. Retirou parte do apelo heroico do personagem e deixou um gostinho amargo na boca que não combina em nada com a história. Eu pensei: “Poxa, Calvin, que furada… Vou te colocar de castigo”. Mas, felizmente para nós, leitoras, isso é logo esquecido e ficamos de bem com o nosso mocinho violonista, e roqueiro nas horas vagas, novamente.
É quando aparecem os primeiros perrengues da história: descobrimos que o nosso menino dos olhos é um estrangeiro ilegal, vivendo em Nova Iork sem um visto. No Brasil, não temos muitos problemas legais com os imigrantes, mas nos Estados Unidos é realizada uma verdadeira caça ás bruxas quando o assunto é a permanência prolongada de alguém em suas terras [Eu tive que gastar milhões de lágrimas da minha conta com O sol também é uma estrela para descobrir sobre isso]; O tio da Holland fica com uma corda no pescoço no teatro — ele é o diretor musical —, porque o seu melhor músico se demitiu, e a salvação de sua lavoura — leia-se Calvin — não pode aparecer em público.
E eis que surge, nas profundezas de uma sala de reuniões, uma solução mirabolante para matar três coelhos com uma cajadada só: como o Calvin está com o visto vencido, só pode permanecer no país se casar-se com uma americana. Quem se habilita a se casar com um completo desconhecido para salvar o emprego do tio, manter o crush por perto e ainda ganhar um músico particular só para si? — Quem? Quem? Quem? Raimundo Nonato! [Risos. Desculpem, eu não consegui evitar]. Respondendo á pergunta óbvia: poderia muito bem ser eu, mas é a Holland. E é a partir daí que a nossa história de amor começa a se desenvolver, de uma forma tão meiga, açucarada e divertida que consegue arrancar suspiros e risadas até da leitora de clichês mais cética.
É altamente recomendado que você prepare o seu potão de sorvete e o seu balde de pipoca com manteiga com antecedência, porque Apenas amigos é um romance que vai te fazer virar a madrugada, devorando as páginas sem nem perceber.
Prós amorzinho:
- O Calvin tem um sotaque irlandês IN-CRÍ-VEL [Fãs de Gael O’Connor, já podem sair da toca!];
- Expressões como Mo Stoírin (minha queridinha, em irlandês) vão fazer o seu coração ficar quentinho a cada vez em que forem usadas [É, eu sei que vocês também gostam, suas lindas];
- A história se passa em Nova Iork;
- Os tios da Holland são a coisa mais gostosa desse mundo. A representatividade ganha muitos pontos nesse livro [O Coração Larry chega a estremecer];
- Sim, temos cenas quentes! [Imagina se a gente vai passar frio lendo romance, meninas];
- As descrições musicais vão te fazer suspirar [Especialmente se você lê enquanto ouve músicas, assim como eu];
- A epifania da Holland é um verdadeiro sonho para as/os aspirantes a escritor [Meme do Pokémon surpreso];
- O livro é fluído e divertido, e você consegue lê-lo de uma vez só;
Contras jilózinho:
- Amigos que se casam e casados que se apaixonam são clichês mais velhos do que a minha avó [Mas amamos, ainda assim];
- O Calvin demora a reconquistar a empatia depois que dá uma bola fora com a Holland no início do livro [Poxa, Calvin… Liberte o Super-homem que está preso dentro de você!]
- O título do livro não condiz com o enredo [Falta aquele detalhe/citação para deixar tudo perfeito];
- As frases iniciais do livro ficam soltas. O gancho não é explicado durante a história;
- A família da Holland se resume aos tios e ao irmão, mesmo que os pais dela sejam vivos [Gente, cadê a mãe dessa criança?]
- O trelelê que motiva todo o enredo se resolve muito rápido depois que as coisas dão errado [Meme da Isa no karaokê];
- Apesar do título, a Holland não tem tanta sorte com amigos;
- O final é insuficiente, apesar de ser bacana [Mas então, Chris e Lauren, me contem aqui um segredo: o que acontece depois?];
- O livro acaba [Choremos!];
Bem, meus amores, espero que vocês tenham curtido essa resenha tanto quanto eu curti ler e me divertir com esse livro maravilhoso. Aguardem notícias minhas em breve [Estou sempre aprontando algo]. Amo vocês! Beixos!
*Os personagens citados — Joe Goldberg e Gael O’Connor — são, respectivamente, da série produzida pela Netflix e inspirada em um livro chamado You, e do livro Quando a noite cai, da Carina Rissi.
Alice Carvalho
Acabei de devorar sua resenha com prazer! Foi genial a forma como conseguiu separar uma descrição intima do trecho final, no qual realiza uma critica de maior objetividade. Parabens! Continue escrevendo que nos continuaremos lendo.
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Nossa! Estou feliz demais por esse comentário! 😍💘 Obrigada, Miguel!
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