Resenha de Últimas mensagens recebidas, Emily Trunko — por Alice Carvalho

[Antes do show de luzes começar]

Oi, pessoas lindas do meu core! Tudo bem com vocês?

Eu sei que ando sumidinha, porém nada disso é sem motivo. Como desde o inicio deste blog assumi um compromisso com vocês sobre transparência e sinceridade, acho que devo uma ou duas palavras sobre o que motivou o hiato bloguístico (podem entrar, Neologismos; fiquem à vontade). Eu, como poucos sabem, estou passando por um momento emocional difícil. Não é como se os fatores externos tivessem trazido a gasolina e os palitos de fósforo para me verem queimar. É algo mais sutil, interno, bem mais difícil de explicar do que eu havia me dado conta. Estou sentindo os meus pilares estremecerem um pouco, todos os dias, perdendo um pouco do controle do meu barco. Mas não se preocupem, tripulantes. Não vamos afundar. Tempestades vêm e vão com o curso dos ventos. Sempre.

Por que achei importante dizer isso logo no início dessa resenha [além do motivo anterior, claro]? Estou numa fase em que ler — o meu maior prazer da vida —, se tornou um pouco maçante. Vocês não têm ideia da sensação que é começar a ler dezenas de livros e não terminar nenhum deles por que você perdeu a conexão consigo mesmo e com as palavras.

Como recentemente comecei a usufruir dos prazeres integrais do Youtube, o que foi que eu fiz? Fui ver vídeos sobre livros e resenhas e acabei descobrindo o canal maravilhoso de uma Youtuber chamada Bel Rodrigues [garota, ainda não te conheço direito, mas já quero ser tua amiga!]. Vídeo vai, vídeo vem, encontrei um sobre o livro que intitula essa resenha — Últimas mensagens recebidas… E é aí que as luzes começam a se acender para o show…

[As luzes, de fato, ou seriam apenas os faróis de um ônibus?]

 Últimas mensagens recebidas é um pequeno compilado de palavras decisivas na vida de dezenas de pessoas. Desde os primeiros minutos, quando você começa a ler o livro, você vê a força gigantesca que ele guarda em poucas palavras.

Para vocês terem uma ideia, na terceira pagina já tinha um argueiro no meu olho, eu já tinha cortado mil cebolas e já estava com um caso grave de “chorite” aguda. Eu chorei, plena, igual você deve ter feito no final de Marley & Eu ou Sempre ao seu lado [se você ainda não leu/assistiu isso, eu recomendo. Não vou chorar sozinha!] .

Algumas das frases são tão pesadas que você sente como se fossem um tapa, mas ainda mais fortes do que elas é o contexto. Casos em que pessoas foram babacas, orgulhosas, medrosas, corajosas, e uma infinidade de “osas” que não caberia nesse post. Mas você consegue sentir, profundamente, o quanto seguiam a verdade, mesmo nos momentos mais cruéis, daquilo que sempre foram — humanas. É aí que reside toda a beleza e o horror de tudo.

O livro todo se resume em fragmentos que te levam ao lugar do outro, na dor, no amor e no remorso , e mostra a importância de observamos com cuidado cada palavra que sai da nossa boca e das pontas dos nossos dedos. Às vezes não nos damos conta, mas o ponto final, a interrogação, a exclamação no final de cada frase pode ser o último caractere, um adeus disfarçado de reticências. E perdemos a grandiosidade disso a cada vez que não contemplamos nossas próprias vozes.

Eu não sou de falar palavrão — as pessoas que convivem comigo sabem — mas houve momentos em que eu falei “P*ta merda… Porr@… Que pessoa forte por ter a coragem de enfrentar coisas como essa e contar a história depois.” Dá vontade de abraçar essas pessoas e parabeniza-las por suas trajetórias. Vocês podem não perceber, mas são INCRÍVEIS, e eu admiro muito vocês.

Você começa a ler, frase após frase, imagem após imagem, e algo destrava dentro de você, te fazendo questionar quem você é de verdade. Quantas vezes você abriu mão das pessoas por não conseguir encarar os monstros dentro da sua cabeça? Em quantos momentos você se deixou guiar pelo orgulho e pala raiva? Quantos amigos você deixou para trás, e quantos te deixaram também? Como anda a sua gentileza e a sua capacidade de perdoar [e se perdoar]?

Assim como uma colcha de retalhos, em que você une pedaço por pedaço para formar um todo perfeito, Emily Trunko fez um excelente trabalho em reunir o depoimento singelo e intenso de cada uma dessas pessoas — tão anônimas quanto você e eu — em uma obra simplesmente surreal.

Uma leitura fluida, reflexiva e capaz de trazer á tona as emoções mais profundas que você já sentiu nos últimos meses. Para esse livro, não esperem menos do que muitas lágrimas e uma rápida olhada em seu histórico de conversas para relembrar suas últimas mensagens recebidas.

Prós-amorzinho

  • O livro é muito rápido [Que nem o Flash, em horário de pico, correndo para pegar o ônibus antes que ele dê partida];
  • Todos os contextos são tão vívidos, fortes e emocionantes que te guiam direto para uma necessária autorreflexão. [Você é seu próprio terapeuta por alguns minutos];
  • Sabe aqueles romances com o final triste que você leu milhares de vezes, que te transformaram, e te fizeram gastar a pequena fortuna que você não tinha em lencinhos de papel, mas que mesmo assim você ama? Últimas mensagens recebidas é um pouco de todos eles; Há momentos em que você para e pensa: Olha, isso é tão Personagem Tal [Hardin, Finch, Guz… essa foi pra vocês];
  • Você pode sentir empatia pelas pessoas [O sentimento de vestir a pele do outro, sentir sua dor e sua coragem, fazem de você uma pessoa pelo menos 1% melhor];
  • Você se sente parte de uma estrutura maior [Como a própria Emily diz na introdução: “Todo mundo já recebeu uma última mensagem na vida”];
  • É fácil de ler. [Para quem está passando por uma ressaca literária, perda de conexão com o universo das palavras, apatia pela repeteco do mesmo estilo de livro no mercado, esse livro é perfeito];
  • A seção de depoimentos de pessoas que tiveram suas vidas mudadas pelo livro é simplesmente um amor;
  • Emily Trunko tinha apenas dezesseis anos quando organizou o livro, e seus projetos adjacentes nos fazem enxergar nela a grande mulher e cidadã que ela é, e nos dá uma inspiração para sermos um pouco melhores com nós mesmos e com os outros.

Contras-jilózinho

  • De cara, o livro te faz chorar. Não é que você não saiba o conteúdo dele — o titulo é meio óbvio — mas o impacto do livro mais parece um atropelamento de ônibus e te deixa com uma dor de cabeça suprema depois que termina.
  • Se você é sensível a temas como suicídio, abusos, e relações tóxicas, se te dá algum tipo de gatilho negativo e/ou destrutivo, esse livro não é para você. Ele não dá esperança de melhora, de retorno… É como arrancar o band-aid da ferida e colocar um chiclete mascado no lugar.
  • O livro é curto. Para quem é acostumado a romances de trocentas páginas — como a escritora que vos fala — esse limite é, literal e figurativamente, o fim.
  • O estilo das imagens não me agradaram muito, apesar de muitas vezes valerem por mais de mil palavras.

Bem, meus amores, essa foi a nossa resenha de hoje e eu espero muito que vocês tenham gostado dela pois eu fiz com amor, pensando em vocês. Como um bônus, vou deixar para vocês três das minhas últimas palavras para três garotos diferentes dos quais eu nunca mais tive notícias. Se vocês também tiverem mensagens para compartilhar, deixa aqui nos comentários.

Fiquem bem, hidratem-se, e lembrem-se, mesmo quando eu não estiver postando, continuo amando vocês.

ÚLTIMAS PALAVRAS

“Oi, A. Não veio mais aqui… Cuidado para não perder o meu contato, senhor… Cadê você, garotinho? Senti saudades, viu?”

— Ele disse que ia dormir e nunca mais voltou.

“Cadê você, J? Preocupada contigo, sabe? O que aconteceu, criatura? Já faz mais de um mês que não fala comigo… Sumiu de repente. Não faz isso… Senti sua falta. Me lembrei de ti.”

— Na ultima conversa, ele estava com a sobrinha dele, brincando e mandando áudio. Eu nunca soube o que aconteceu.

 “Fique bem, procure coisas que te deixem feliz. Se cuide. Adeus.”

“Adeus. Fica bem. Só lamento por suas decisões sem pensar ou de cabeça quente. A dor deixada… não há palavras para definir.”

“Ela um dia passará e deixará aprendizados, espero.”

“Não tem aprendizado nisso, só mágoas por atitudes bobas.”

“O tempo dirá… Tchau.”

“Tchau.”

— Depois de uma amizade intensa e unilateral, ele não soube lidar com as minhas sombras. Entre uma birra e outra, tudo explodiu.

— Alice Carvalho

Publicado por Alice Carvalho

Sou uma autora apaixonada por livros e músicas, e cheia de sonhos coloridos que ainda quero viver. Meu maior sonho é ser reconhecida pelas coisas que escrevo, e mudar , pelo menos um pouquinho, o mundo particular das pessoas.

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