Boa noite, meus amores! Hoje é dia de trazer pra vocês a entrevista supimpa que a nossa autora da semana nos concedeu. Não vou me prolongar muito, mas devo dizer que dei boas gargalhadas com as respostas. Aproveito para relembrar que essa entrevista é parte do projeto Darkneiras, criado em parceria com o blog Pecadora Literária da Naiara Barcelar. O link para o blog dela se encontrará na parte de baixo da entrevista, assim como os @ para os nossos perfis no Instagram. Peguem a pipoca e o suco e escolham a cadeira mais confortável da sua sala, por que a nossa entrevista já vai começar.
Oi, lindos e lindas! Eu sou a Costanza, não erre meu nome, do contrário puxo seu pé. Brincadeira, podem me chamar de Vivi. Espero que minhas respostas os divirtam. Beijos de chocolate com morango, porque eu amo tanto quanto o Ben Barnes e a cor azul.
Eu sou a Costanza Batalha, mas também trabalho junto a O.K. Martínez e por aí já dá para perceber que eu sou uma viciada em pseudônimos.
Bem, tenho quase trinta, mas me recuso a revelar minha idade. Sou até hoje fã de cultura asiática, de novelas mexicanas, Musicais e claro, RBD e bandas nacionais meio dark web. Viciada em trabalho, curada da dependência por cafeína, durmo desde os doze anos, apenas três horas diárias.
Professora efetiva no município de Itaguaí e apaixonada por dança de salão, viagens exóticas relacionadas a cursos de escrita e roteiro e o Ben Barnes, o avatar oficial e legalizado com autorização, de qualquer Lúcio que eu escreva.
Sou da era fanfic no ORKUT (2006, mais ou menos) e após anos nesse meio, com o fim do site, migrei para o Nyah e mais tarde o Wattpad. Hoje sou autora recém lançada na Editora Crystal Books.
Minha cor favorita é azul, mas aquele tom de azul que lembra o céu de verão com Sol brilhante. Tenho medo de escuro e ficar sozinha em casa com uma tempestade, tendo raios e trovões e claro, o clichê, luz acabando.
Até recentemente achei que pertencia a tríade de fogo do zodíaco, mas descobri que minha Lua é em Gêmeos e não Leão. Contudo, meu signo permanece sendo Sagitário e meu ascendente ainda é Áries.
Escrevo com músicas, silêncio me sufoca, o meu melhor sentimento e característica e a Lealdade e maior defeito, ser controladora. Porque sim, sou do tipo que planejo tudo em um enredo antes de sequer começar a escrever o primeiro capítulo.
Agora, as perguntas:
1) Acho que a primeira pergunta que vem à mente quando se inicia um diálogo com uma escritora é: “Como você começou?” Quando foi que você teve o estalo de que o mundo da escrita era um caminho a ser trilhado?
Eu comecei como um espermatozoide vencedor… Pera, não é disso que estamos falando, né? Parece o maior de todos os clichês, contudo entrar nesse mundo caótico de contar histórias foi planejado dentro de uma série de desencontros. A ideia surgiu meio que por algum acaso quando uma professora na minha segunda série primária (estou denunciando minha idade aqui, produção), ela comentou que eu poderia escrever um livro por ser muito imaginativa.
Experimentei então, recontar Romeu e Julieta, dando um final melhor que o autor. Gente, com seis anos eu possivelmente parecia uma guria muito cheia de si, não? Só que, em primeiro lugar, escritor no Brasil é complicado e nasci inteligente e não bonita ou mesmo rica, logo, o lance de ser escritora se tornou um hobbie. Algo que fazia para me reconectar comigo mesma.
Entre idas e vindas, crises depressivas, tentativas pesadas no meio de crises de ansiedade, com uma carreira e vida estruturada, estudei o mercado, formas de melhor me apresentar, o que está em voga no meio, como me portar em variadas situações sem deixar de ser eu mesma antes de me lançar nesse mundo complicado.
Sobre qual o momento eu digo que é a minha virada de chavinha mental para escolher esse caminho? Não sei. A verdade é que tem sido como respirar, escrever é isso para mim, é assim que funciona, com naturalidade. E tem parecido certo para mim porque é o que resignificou a minha existência.
2) Pra você, qual o significado ser uma escritora brasileira do gênero Dark nos dias atuais? Qual o principal sentimento que você tem com relação a isso?
Ser escritora, independentemente de qualquer nacionalidade ou gênero, é ser a maior de todas as divindades em um mundo apenas seu. Não tipo um Kira de Death Note, até porque eu super sou time L, mas sim como alguém sente uma necessidade equivalente a de respirar, mas neste caso, é contar sobre os mundos que cria, porque isso lhe faz vivenciar experiências esplendorosas.
3) Por qual motivo você escolheu esse gênero literário?
Eu não escolhi, já que sou terminantemente contra essa coisa de ser classificada por um gênero. Escrevo o que sinto que devo contar, até porque é uma máxima levada muito a sério por mim, jamais mentir sobre o que escrevo. Sobre a escolha de participar do projeto DARK, afirmo categórica que quanto mais nos envolvermos e divulgarmos a literatura como um todo, mais é possível que outros se aventurem e se encantem e claro, amadureçam como seres melhores. No caso deste gênero, como é palatável e de cunho mais expressivo e visual e narrativamente mais propenso a chamar a atenção para pautas que fogem do romance estrutural convencional, … enfim, para resumir, o diferente, o desafio… ele me atrai continuamente.
Ter a chance de sair de uma zona de conforto e explorar outras sensações, vidas e anseios, mergulhar profundamente em um caleidoscópio miriádico de ambivalências apenas tece melhor meu interesse em brincar nesse gênero.
4) O que a literatura significa na sua vida?
Atualmente, eu a encaro como não parte da minha construção pessoal do ser, mas sim, um conjunto de possibilidades e tentativas experimentais de vivências. Sejam elas abruptas, ininterruptas, ou os que a valham.
5) Como autora do gênero dark, você costuma trazer à vida personagens complexos e profundos, muitas vezes com um passado sombrio que os fizeram ser quem são. O que você sente enquanto os cria? Como é esse processo?
Sério, sempre que me questionam sobre processos criativos, um sorriso desponta na minha face. Eu tenho duas regras principais para criar: 1) Precisa ser real e 2) Eu preciso sentir. Até porque, como sou muito mais uma escritora amante da 1º pessoa, as duas regras conversam muito entre si.
Tudo que eu crio, não importa o gênero, precisa ter em seu núcleo algo que realmente aconteceu. Muitas das vezes, até comigo mesma. Então, a história, o enredo desenvolvido a partir de um fato isolado, ganha novos contornos quando imagino alternativas de caminhos diferentes em uma única situação inicial.
Como normalmente, para escrever em 1ª pessoa, me utilizo muito de base, minha história e experiências pessoais, o sentir para expressar, se torna a consequência de contar a verdade.
6) Já criou algum personagem baseado em alguém real?
Sim.
7) Você fica apreensiva com os momentos tensos nas suas histórias?
SIM
8) Teve algum momento em que você precisou mudar alguma coisa nos seus livros por achar “pesado” demais, ou que não tomou a proporção que queria?
Eu nunca mudaria algo por achar pesado demais, mudaria por não o achar devidamente relevante para o todo do enredo. Contudo, em um projeto com O.K. Martínez, me vi, por parte mais delas, levada a alterar substancialmente, pelo bem da narrativa, algo mais pesado.
9) Você possui uma rotina de escrita?
Sim, escrevo todo o tempo. Inclusive quando durmo, porque, a propósito, este é meio que o meu sonambulismo.
10) É hora de escrever um novo livro com determinado tema ou plano de fundo, e isso geralmente envolve muito planejamento e pesquisas. Como funciona esse momento pra você?
Sou a garota da pesquisa, dos cursos e viagens. A que nunca para de planejar, estudar e o principal… se divertir sem cansar enquanto trabalha em um mundo novo.
11) Você ainda sente dificuldade para escrever? Qual o momento mais trabalhoso?
Não de escrever em si. Cada obra tem seu momento particular mais trabalhoso. Exemplos : A minha série Flos Ignis, cujo o primeiro livro recém foi lançado pela Editora Crystal Books, o meu momento mais difícil foi dizer adeus àquele mundo.
Para o livro dark que vai ser lançado em breve e que eu não posso revelar muito, o momento mais difícil foi começar.
Para o projeto Feridas com O.K. Martínez, foi lidar com egos, questões pessoais minhas e a diferença gritante entre os estilos que cada um representa, tudo para que fique harmônico no que tange a uma narrativa fluída.
O que quero dizer é que para mim não há um momento em que eu possa elencar como o mais trabalhoso. Dependendo do meu sentimento envolvido, os paradigmas sempre podem ser alterados.
12) Na maioria das vezes, escrever envolve muitos contratempos. Como você lida com eles?
Sabe quando eu disse que sou muito do tipo controladora compulsiva, que segue uma rotina? Eu quis dizer que eu realmente sou assim. Planejo até possibilidades de contratempos. É chato, admito, mas como não minto quando escrevo, nessa eu não tenho histórias para contar. Jamais deixo um projeto inacabado, eu não consigo, na verdade, deixar algo por fazer.
Porém, como eu disse, tenho uma vida que não é apenas como escritora, trabalho como professora também e cuido da casa, de uma avó, dos amigos, dos estudos…
Então quando algum contratempo surge, em um primeiro momento eu surto para pensar em alguma medida para executar meu planejamento na ordem em que deve ser feito, seguindo ou mesmo antecipando-se aos meus prazos finais iniciais. Como uma grande competição comigo mesma.
Isso me faz sempre pesar muito quando ou não devo aceitar integrar um projeto, porque sempre, mesmo quando parece o contrário, tenho mais de uma opção para lidar e remediar contratempos.
PS.: Ajuda super os melhores amigos que tenho nesses momentos.
13) Na hora de escolher os nomes para os personagens, você prefere nomes brasileiros ou internacionais?
Raramente uma história minha não tem um pé no Brasil ou nomes brasileiros. Eu gosto muito do meu país e de ambientar coisas nele. Então sim, eu prefiro muitas vezes usar nomes brasileiros.
14) Agora vem uma pergunta que quase todo mundo acha difícil: Qual o seu personagem favorito nas obras que você escreveu? Por quê?
Flos Ignis : Lúcio por ser sempre muito preocupado com o bem estar daqueles que ama, valorizando-os e mesmo com seus defeitos, sendo capaz de centrar-se e retornar ao equilíbrio em prol do bem comum.
*Tem uma personagem no projeto literário que não posso contar o nome, mas adianto que gosto dela porque é destemida, ainda que seu passado seja um dos mais dolorosos e tenebrosos que já experimentei. Ela não o esquece e cria um arco de redenção, simplesmente o vivencia e o arrasta sobre si mesma, sendo levada a entrar em conflito consigo.
The Rose in Solitude: Livia é a personagem mais forte e dócil que já escrevi na vida, com um pouco da melhor visão sobre o mundo, empatia e as pessoas de forma geral.
Poisonous Sweet: Milena Raven é livre. Uma radialista que fala sobre o bom sexo, sem papas na língua e com muito bom humor.
Mort, a votre placer: Maitê por ser a vingativa mais doce e manipuladora, com as ideias mais insanas para assassinatos e fugas.
Transcendente: Renata é a personagem com o arco mais espiritual e evolutivo que eu já experimentei. Aprendi muito com o luto dela. Nós duas crescemos bastante enquanto vivemos juntas.
Livro de Âmbar: Hérick ele é um pirata sexy, se isso não for um bom motivo, me desculpe e vá pensar novamente.
Redenção do Dragão: Drac. Um cavaleiro cercado de mistérios em uma terra fantástica, vendido como um trambiqueiro sem alma, mas sendo a única segurança e linha de defesa de uma regente mimada e sua meia irmã bastarda. Drac é um personagem de camadas. Literalmente uma cebola que me surpreendia conforme nos conhecíamos.
Ele conhece um cara, que conhece um cara: Linda ela quer ser reconhecida por ela, provar que seus anseios têm lugar e futuro, ansiando por não seguir no seguro e aceitável que a família de militares que tem, deixou para que seguisse.
Feridas: Débora Gusmão fada sensata, sem defeitos, mulher empoderada e que fala na cara as verdades necessárias.
Sex and speed: Analu tive que aprender sobre mecânica por culpa dela.
Coroa -Herdeiros da Guerra: Opto por não colocar, uma vez que se trata de uma nova obra.
15) Se você pudesse ser algum personagem de algum livro seu, quem seria?
Se é meu livro e tem uma Ana, ou Anna… com certeza, sou eu!
16) Grande parte do sentido do trabalho de um autor está nos leitores. São eles quem impulsionam e dão um retorno, na maioria das vezes. Qual é a sua relação com seus leitores? Eles opinam sobre o rumo que as histórias tomam?
Leitores são a força motriz de todo escritor. Sendo sincera, meus leitores não têm como opinarem nas obras lançadas, pois quando as mesmas chegam ao seu conhecimento, tudo já está escrito. Todavia, dependendo do que o leitor coloque, certeza que ele pode acabar redesenhando alguns rumos que antes eram prévios… eu sou escritora, nunca direi um nunca nessa vida que escolhi.
17) Qual a sensação de ter um livro publicado?
A sensação de dever cumprido e realização competindo pelo gostinho deixado de que eu quero mais…
18) Você já sofreu preconceito por escrever romances dark? Se sim, de quem?
Provavelmente sim, e com toda certeza, me importei tão pouco que não sou capaz de nomear.
19) Você contou com o apoio da sua família na hora de escolher a profissão de escritora?
Inicialmente, minha avó não estava muito animada com isso não. Hoje em dia, como já estou estabilizada empregatíciamente, ela leva mais de boa.
20) Qual a sensação de concluir um livro e publicá-lo?
Impossível colocar em poucas palavras. Não existe nome, sinônimo que se encaixe em algo que te revira e completa por inteiro. Te dá ao mesmo tempo medo total e certeza quase que divinamente transcendental.
21) A maioria das autoras nacionais da atualidade publicaram suas obras de forma independente, até mesmo devido às crises editoriais que já viraram rotina no Brasil. Você optou por seguir essa linha? De que maneira você lidou com o lado burocrática dessa parte da escrita? Valeu a pena?
Eu optei pelo sonho da editora tradicional, publicando pela Crystal Books. Eles cuidaram da parte burocrática, e eu não tive problemas.
22) Qual a forma que você escolheu para divulgar as suas obras? Como você acha que os blogs, IG’s literários e outros meios impactam os novos leitores?
Principalmente Instagram e Facebook. Por IG’s, blogs, Booktubers terem uma linguagem fácil acesso, o impacto crítico deles é proporcional ao engajamento midiático externo de um projeto.
23) Além do trabalho como escritora, você possui outra profissão? Quais são os seus hobbies?
Sou professora, formada em Matemática, Pós Graduada em Ciências Exatas com ênfase em Física Quântica, Teologia e Pedagogia. Atualmente estudo roteiro. Amo dançar, com especial destaque para o Jazz e o Ballet Clássico, além de Dança de salão, destacando ritmos como forró, soltinho, salsa, tango, samba de gafieira e zouk.
Trabalho escrevendo críticas de filmes, séries, livros, animes, doramas, álbuns musicais, faço trabalho voluntário em asilos e orfanatos diocesanos, presto consultoria como social control trainer, realizo revisões acadêmicas, componho, cozinho e desenho croquis que nunca serão roupas, e escrevo poesias para amores que nunca terei fui Ju.
Leitora aficcionada com muita inclinação a estudo de línguas mortas, e criação de idiomas.
24) Quais novidades podemos esperar para o fim deste ano ou do próximo?
Tudo que posso dizer é que existem planos auspiciosos para novos mundos sendo desbravados em breve…
25) Pra finalizar essa entrevista, uma última pergunta: Que conselhos você daria para si mesma se pudesse voltar para o momento em que iniciou sua carreira como escritora?
Divirta-se. Será a melhor experiência que vai ter. No começo pode até doer, mas o sorriso será tão verdadeiro que qualquer dor ou tristeza, não deixará sequer uma lembrança. Você é mais forte do que acredita, e os mundos precisam sair.

Bem, pessoal, essa foi a nossa entrevista do dia. Espero que vocês tenham sanado todas as suas dúvidas (e que a pipoca não tenha acabado na metade do caminho) e que tenham gostado da experiência, ela foi realmente fantástica. Aqui embaixo eu vou deixar o link para o blog da Nay, o Pecadora Literária, que está recheado de coisas bacanas, e os @ dos nossos Ig’s. Segue a gente lá! Beijitos e até logo. Amo vocês!
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