
Oi, oi, oi, meus amorzinhos. Isso aqui não é o início da música do Latino — não, você não se enganou, é aquela mesma que foi o tema de abertura da novela das nove —, mas eu cheguei chegando pra dizer pra vocês que hoje temos entrevista!!! Sim, meus doces, a entrevista de hoje é com mais uma escritora amorzinho do projeto Darkneiras. O nome da pequena musa é Carla Dias — a Carlinha, como eu ousadamente apelidei enquanto falava com a Naiara — , uma alagoana de 22 anos, estudante de publicidade extremamente apaixonada por seus personagens mafiosos.
Bora lá conhecer essa mulher maravilhosa? Sigam-me os bons e vamos começar!
1) Acho que a primeira pergunta que vem à mente quando se inicia um diálogo com uma escritora é: “Como você começou?” Quando foi que você teve o estalo de que o mundo da escrita era um caminho a ser trilhado?
Em 2016 fiquei totalmente viciada em estórias que envolviam a máfia, era uma adrenalina insana ler cada página de cada livro, comecei a criar estórias na minha cabeça, então, um certo dia pensei: eu deveria passar isso para o papel. Peguei um caderno velho e comecei a escrever nele, depois passei para o wattpad, meses depois eu tinha um livro completo.
2) Pra você, qual o significado ser uma escritora brasileira do gênero Dark nos dias atuais? Qual o principal sentimento que você tem com relação a isso?
Sem dúvidas significa ter em mãos um grande desafio, o gênero Dark ainda continua sendo estereotipado no meio literário brasileiro. Me sinto eufórica em saber que coloco no papel estórias de pessoas quebradas, mas que podem sim ter um final feliz.
3) Por qual motivo você escolheu esse gênero literário?
Na verdade, brinco que foi esse gênero que me escolheu, quando tomei a decisão de escrever uma série no universo da máfia, ainda que meus livros não sejam tão pesados em alguns sentidos, o Dark acabou vindo de brinde. Sou muito grata por isso.
4) O que a literatura significa na sua vida?
A literatura significa liberdade, os livros me libertaram como leitora e libertaram as várias vidas presas em mim, como autora.
5) Como autora do gênero dark, você costuma trazer à vida personagens complexos e profundos, muitas vezes com um passado sombrio que os fizeram ser quem são. O que você sente enquanto os cria? Como é esse processo?
Ainda estou no início do desenvolvimento de alguns personagens, estou escrevendo o terceiro livro da série, então ainda tenho alguns personagens “quebrados” para colocar no papel. Por alguns sinto compaixão, por outros sinto excitação em pensar cada ponto das suas personalidades. O processo é trabalhoso e cansativo, em alguns casos, preciso pensar como criminosos, o que torna tudo mais complexo.
6) Já criou algum personagem baseado em alguém real?
Não de forma literal, mas diria que as personagens principais dos dois primeiros livros tem pontos parecidos comigo.
7) Você fica apreensiva com os momentos tensos nas suas histórias?
Sim! Cheguei até a chorar em vários momentos do segundo livro.
8) Teve algum momento em que você precisou mudar alguma coisa nos seus livros por achar “pesado” demais, ou que não tomou a proporção que queria?
Várias vezes, sempre penso em o quanto aquilo pode causar gatilho em alguém que esteja lendo.
9) Você possui uma rotina de escrita?
Infelizmente ainda não, a faculdade toma muito do meu tempo, por esse motivo acabo não conseguindo organizar uma rotina de escrita. Mas, futuramente pretendo sim.
10) É hora de escrever um novo livro com determinado tema ou plano de fundo, e
isso geralmente envolve muito planejamento e pesquisas. Como funciona esse
momento pra você?
Primeiro penso o que quero para aquela determinada estória, caso fique decidido
que terá um tema como foco, faço várias pesquisas, entro de cabeça no assunto.
Um exemplo é a estória da Sofia, no livro 2, ela tem bulimia com traços de
anorexia, cheguei até a procurar relatos reais, para ter certeza de que estava indo
no caminho certo.
11) Você ainda sente dificuldade para escrever? Qual o momento mais trabalhoso?
Muita, minha maior dificuldade sem dúvidas é passar a ideia para o papel, eu se exatamente como quero aquele determinado capítulo, mas travo, algumas vezes demoro para finalmente colocar aquilo em palavras. A metade do livro para o final é sempre mais trabalhoso.
12) Na maioria das vezes, escrever envolve muitos contratempos. Como você lida com eles?
Tento lidar da maneira mais calma, sem perder o foco, mas, confesso que é muito complicado.
13) Na hora de escolher os nomes para os personagens, você prefere nomes brasileiros ou internacionais?
Nenhum dos meus livros se passam no Brasil, então acabo preferindo internacionais. Porém, alguns nomes são bem conhecidos pelos brasileiros.
14) Agora vem uma pergunta que quase todo mundo acha difícil: Qual o seu personagem favorito nas obras que você escreveu? Por quê?
É complicado falar apenas um, mas, a Sofia tem um lugar especial no meu coração, por ela ter sido a mais complexa até então, tirou minhas noites de sono. Me sinto grata por no fim tudo ter dado certo.
15) Se você pudesse ser algum personagem de algum livro seu, quem seria?
Lunna, ela é empoderada, sabe o que quer e como quer.
16) Grande parte do sentido do trabalho de um autor está nos leitores. São eles quem impulsionam e dão um retorno, na maioria das vezes. Qual é a sua relação com seus leitores? Eles opinam sobre o rumo que as histórias tomam?
Sempre procuro ter uma boa relação com os meus leitores, como a maioria acaba sendo mulheres, dei o apelido de “amoras”. Não costumam opinar diretamente, mas as vezes sigo uma coisa ou outra pequena sugestão que comentam ou me mandam mensagem.
17) Qual a sensação de ter um livro publicado?
Quando publiquei pela primeira vez na Amazon foi como a concretização de um sonho, achei que meu coração iria sair pela boca. Hoje estou nos preparativos para publicar em físico e isso me deixa completamente eufórica, estou me preparando para chorar quando tiver meu primeiro livro em mãos.
18) Você já sofreu preconceito por escrever romances dark? Se sim, de quem?
Não diretamente.
19) Você contou com o apoio da sua família na hora de escolher a profissão de escritora?
Minha família sempre me apoia em tudo, alguns não levaram muita fé no início, mas hoje todos me apoiam e incentivam.
20) Qual a sensação de concluir um livro e publicá-lo?
“Ufa, dever cumprido”.
21) A maioria das autoras nacionais da atualidade publicaram suas obras de forma independente, até mesmo devido às crises editoriais que já viraram rotina no Brasil. Você optou por seguir essa linha? De que maneira você lidou com o lado burocrática dessa parte da escrita? Valeu a pena?
Sim, optei por ser uma autora independente, procuro sempre contratar profissionais que me auxiliam, algumas vezes enfrento obstáculos pelo caminho, mas com certeza vale a pena.
22) Qual a forma que você escolheu para divulgar as suas obras? Como você acha
que os blogs, IG’s literários e outros meios impactam os novos leitores?
Divulgo no meu instagram e no wattpad, tenho algumas parcerias com IG’s literários, mas sempre contrato pessoas para divulgarem no facebook, instagram, whatsapp, entre outros… Os meios literários são de extrema importância, impactam de forma positiva, é através deles que os autores podem apresentar suas obras e os leitores conhecem livros novos.
23) Além do trabalho como escritora, você possui outra profissão? Quais são os seus hobbies?
Sou acadêmica de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, pretendo atuar na área de Redatora Publicitária. Leio muitos livros nas horas vagas, mas o hobby que toma muito do meu tempo é dançar, danço quadrilha junina estilizada, ensaio o ano todo para me apresentar durante o São João, os 30 dias de
Junho, por alguns estados do país.
24) Quais novidades podemos esperar para o fim deste ano ou do próximo?
Publicação em físico do primeiro livro “A Escolha do Capo” e, entre dezembro e janeiro, publicação na Amazon do terceiro livro “A Escolha Dele”.
25) Pra finalizar essa entrevista, uma última pergunta: Que conselhos você daria para si mesma se pudesse voltar para o momento em que iniciou sua carreira como escritora?
Não desista, não se cobre tanto, você é suficiente sim e principalmente, você é capaz!
Que delícia de entrevista! Eu adorei todas as respostas. Esse projeto está me permitindo conhecer tanta gente interessante e aprender uma penca de coisas novas, mas em cada etapa dele eu sinto a força e o encantamento que tem a escrita, e o talento dessas mulheres mágicas que batalham o tempo todo para povoar a nossa imaginação de sonhos. À Carla, à todas elas e à todos vocês, o meu muito obrigado.
Valeu por me acompanharem até aqui, é sempre muito prazeroso estar na companhia de vocês!
Beijinhos de luz e escuridão,
Amo vocês!