O começo do fim: a entrevista final.

Oi, amores!!!

Hoje é um dia feliz e triste ao mesmo tempo. Estamos terminando um ciclo!

Foram tantas coisas até aqui, entrevistas maravilhosas, pessoas indescritíveis que pudemos conhecer um pouquinho mais em cada palavra, em cada pergunta.

Eu amei tanto fazer parte dessa parceria com a Naiara, minha parceira na vida, na morte e até o infinito.

Adorei as lives, as entrevistas no whatsapp, as entrevistas escritas… Tudo foi perfeito e incrível, e vocês nos proporcionaram isso.

À todos vocês que fizeram parte do Darkneiras ou acompanharam o projeto, o meu — o nosso — muito obrigada.

Pra fechar essa etapa com chave de ouro, a nossa entrevista de hoje ficou à cargo de uma autora chocolatinho apimentado do Dark: Patrizia Evans.

Espero que vocês gostem tanto quanto eu. Relaxem, levantem suas taças e brindem — esse é nosso ato final.

1) Acho que a primeira pergunta que vem à mente quando se inicia um diálogo com uma escritora é: “Como você começou?” Quando foi que você teve o estalo de que o mundo da escrita era um caminho a ser trilhado?

Desde os meus oito anos. Sempre gostei de escrever quando entrei na primeira biblioteca da minha vida, onde era na minha segunda escola. Mas comecei a escrever com mais vontade dos 11 aos 13 anos, desde então não parei mais.

2) Pra você, qual o significado ser uma escritora brasileira do gênero Dark nos dias atuais? Qual o principal sentimento que você tem com relação a isso?

É bom, sempre gostei de gêneros com temas obscuros, mas com um toque de romance. Quando o Dark romance se expandiu para outros temas ficou mais fácil de ter uma estória com personagens envolvidos com crimes, mais aceito entre os leitores. E isso é bom.

3) Por qual motivo você escolheu esse gênero literário?

Na verdade eu não escolhi, sempre escrevi livros do gênero desde que li meu primeiro livro de romance erótico. Escrever livros com subtema de máfia existe em mim desde 2013, mas eu não tinha coragem de expor o conteúdo porque não saberia se seria aceito tão facilmente para os leitores, mas me enganei, e vi que aos poucos livros como esses começaram a ganhar destaque a partir de 2016, aqui no Brasil, se não me engano.

4) O que a literatura significa na sua vida?

Tudo. Não me vejo sem ela, ler, escrever, faz parte da minha essência. Sinto-me honrada por amar algo tão único e sem defeitos, mesmo sendo no Brasil.

5) Como autora do gênero dark, você costuma trazer à vida personagens complexos e profundos, muitas vezes com um passado sombrio que os fizeram ser quem são. O que você sente enquanto os cria? Como é esse processo?

Eu preciso abrir a minha mente a isso, preciso não ter preconceitos e ser crítica para criar um ser humano fictício com um passado conturbado. Então eu me coloco no lugar do(a) personagem, preciso que a minha mente torna-se deles, é um processo complexo, escrevo há mais de oito anos e isso nunca mudou. Não é fácil criar uma pessoa, você precisa se colocar no lugar dela, precisa sentir o que ela sente, dessa forma a estória sai perfeita e sem confundir os leitores.

6) Já criou algum personagem baseado em alguém real?

Sim, quase todos da série Submundo tem um pouco de pessoas que já passou na minha vida e também há parte de mim em cada um deles. A personagem Chloe Gratteri é uma mistura minha e com a minha irmã mais velha, mas apenas a parte da sua personalidade forte e autêntico rsrs.

7) Você fica apreensiva com os momentos tensos nas suas histórias?

Não mais, com o decorrer dos anos você já se acostuma com isso e não fica mais tão difícil como era no começo de tudo.

8) Teve algum momento em que você precisou mudar alguma coisa nos seus livros por achar “pesado” demais, ou que não tomou a proporção que queria?

Claro, acho que todos os autores do mundo passam por isso. No meu caso, eu escrevo algo em tal dia, mas no dia seguinte tenho uma ideia melhor que a primeira e acabo mudando. Mas em relação de cenas mais pesadas eu nunca mudei por ser…pesada. Minhas estórias precisam ter isso.

9) Você possui uma rotina de escrita?

Antes, sim, mas agora, não. Vivo da escrita, isso é fato, mas rotina é algo monótono e acabava me dando bloqueios. Então eu faço quando estou muito inspirada, escrevo sem pressão nenhuma de pensar “meu Deus, preciso postar capítulo e agora? Preciso lançar o livro em tal dia mas ainda ele está em processo de finalização”, já passei dessa fase, isso acaba prejudicando o meu trabalho e a minha mente. Rotina nao é compatível com a escrita, resumidamente.

10) É hora de escrever um novo livro com determinado tema ou plano de fundo, e isso geralmente envolve muito planejamento e pesquisas. Como funciona esse momento pra você?

Eu crio a estória antes de começar a expô-la aos leitores. Faço o ínicio, meio e fim nas minhas notas com uma pesquisa pesada e detalhada sobre tudo o que será descrito na estória. De nomes até a cor da casa do personagem, com bastante atenção e sem deixar nada sem nexo. É a parte que eu mais gosto no meu trabalho.

11) Você ainda sente dificuldade para escrever? Qual o momento mais trabalhoso?

Sim, faz parte ter dificuldades. Mas não deixo isso me dominar, geralmente o momento mais complicado é criar o personagem. As suas manias, o seu jeito de pensar totalmente diferente ao falar, criar o personagem é sempre mais complicado porque requer atenção dobrada.

12) Na maioria das vezes, escrever envolve muitos contratempos. Como você lida com eles?

Calma, entrar em desespero ou ficar estressada não resolve nada. Lido com isso numa boa.

13) Na hora de escolher os nomes para os personagens, você prefere nomes brasileiros ou internacionais?

Ambos, não tenho preferência. Mas confesso que nomes brasileiros são mais atrativos, possuem mais sensualidade, assim como os americanos.

14) Agora vem uma pergunta que quase todo mundo acha difícil: Qual o seu personagem favorito nas obras que você escreveu? Por quê?

Difícil mesmo. Mas eu gosto do Lucco Gratteri, pois todos leram a trajetória da sua mudança, os seus demônios serem derrotados aos poucos, assisti-lo se apaixonar, o que era algo que todos pensaram que nunca aconteceria. Ele mudou radicalmente, resolveu se tornar um homem com honra e eu admiro isso. Mas é claro que há outros em minha mente, como a Chloe Gratteri que era arrogante e pensava em si mesma, mas para salvar a família colocou as necessidades dos outros acima das dela. Ela mudou muito também e eu amo com força, essa mulher.

15) Se você pudesse ser algum personagem de algum livro seu, quem seria?

Advinha? Chloe Gratteri sem sombra de dúvidas. Ela é forte e destemida, adoro a sua autoridade e o seu feminismo.

16) Grande parte do sentido do trabalho de um autor está nos leitores. São eles quem impulsionam e dão um retorno, na maioria das vezes. Qual é a sua relação com seus leitores? Eles opinam sobre o rumo que as histórias tomam?

Sim, isso existe através de autor/leitor, e eles precisam estar próximos de nós, tenho contato com várias leitoras e leitores, mas algumas são até amigas mais próximas de mim que me acompanham desde o meu início no wattpad.

17) Qual a sensação de ter um livro publicado?

Sentimento de tarefa cumprida, não existe sensação melhor do que finalizar um livro e publicá-lo.

18) Você já sofreu preconceito por escrever romances dark? Se sim, de quem?

Nunca. Todos que se aproximam de mim, me elogiam e nunca foram pessoas desnecessárias pelo fato dos meus livros terem subtemas mais pesados.

19) Você contou com o apoio da sua família na hora de escolher a profissão de escritora?

Na verdade eu não escolhi, isso surgiu de repente dentro de mim quando eu era muito nova. Mas desde sempre a minha família, meu marido e amigos sempre me apoiaram em tudo. E agradeço a eles pelo incentivo.

20) Qual a sensação de concluir um livro e publicá-lo?

Como eu disse anteriormente, de tarefa cumprida. A melhor sensação que qualquer escritor possa sentir. Esplêndida.

21) A maioria das autoras nacionais da atualidade publicaram suas obras de forma independente, até mesmo devido às crises editoriais que já viraram rotina no Brasil. Você optou por seguir essa linha? De que maneira você lidou com o lado burocrática dessa parte da escrita? Valeu a pena?

Desde que a série Submundo ganhou destaque eu recebia e-mails de algumas editoras para publicar os livros, já recebi convite de editoras de Portugal também, mas nunca aceitei porque eu reconheço o esforço que tenho e aceitar que outra pessoa possua os seus direitos autorais talvez apenas para ganhar dinheiro, isso não funciona comigo. Sempre fui autora independente com a série até os novos livros, e nunca tive problemas com isso, eu vivo disso, nunca passei por uma crise ou esquecimento. Novos leitores chegam diariamente e é maravilhoso ter o seu trabalho reconhecido. Então, para mim, está tudo bem.

22) Qual a forma que você escolheu para divulgar as suas obras? Como você acha que os blogs, IG’s literários e outros meios impactam os novos leitores?

Exatamente com os citados na pergunta. Faço parceria com ig’s literários, fazemos acordos e eles me divulgam. Também fecho pacotes com alguns perfis de divulgações e acredito que valha a pena, mas é preciso escolher com sabedoria porque há alguns que estão atrás de dinheiro e de livros grátis.

23) Além do trabalho como escritora, você possui outra profissão? Quais são os seus hobbies?

Não. Eu trabalhava na área de administração e logística, mas na época resolvi deixar de lado e focar cem por cento na escrita. Eu gosto e amo assistir séries investigativas e documentários de crimes organizados, além disso saio com as pessoas certas e que amo, pois eles também me inspiram em relação ao meu trabalho.

24) Quais novidades podemos esperar para o fim deste ano ou do próximo?

O último livro da trilogia Ndrangheta, Flame and Burn, chegará esse ano no wattpad, mas terá poucos capítulos. Muitas pessoas estão loucas para os desfechos das estórias anteriores e elas terão a chance de lê-los no wattpad, pois sei que nem todos os leitores têm condições de adquirir os e-books na Amazon. E ano que vem chegará novas estórias com os mesmos gêneros.

25) Pra finalizar essa entrevista, uma última pergunta: Que conselhos você daria para si mesma se pudesse voltar para o momento em que iniciou sua carreira como escritora?

Sabe aquelas pessoas que enganaram você? Que também não acr

Publicado por Alice Carvalho

Sou uma autora apaixonada por livros e músicas, e cheia de sonhos coloridos que ainda quero viver. Meu maior sonho é ser reconhecida pelas coisas que escrevo, e mudar , pelo menos um pouquinho, o mundo particular das pessoas.

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